“Claro-Escuro (Chiaroscuro)”, 2021
Texto em neon: ““O velho mundo está
morrendo. O novo demora a nascer. Nesse
claro-escuro, surgem os monstros.”
Neon verde medindo 0,80m de altura por 18 metros de largura.
Alfredo é “gramsciniano”. Essa obra de luzes de neon revela uma frase escrita pelo filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937) nos anos 30, na época do surgimento do fascismo. Este membro fundador do Partido Comunista Italiano, em particular, desenvolveu uma teoria da “hegemonia cultural” que parte da premissa de que a conquista do poder pressupõe a da opinião pública. Uma classe dominante impõe-se primeiro através de práticas cotidianas e crenças coletivas, aquelas engrenagens culturais que desempenham um papel fundamental no estabelecimento de um sistema de dominação. Alfredo retoma esses postulados para falar conosco sobre a luta política em torno da questão do desprezo social e das crises de liderança.
Essa obra foi exibida no SESC Pompeia na mostra Lamento das Imagens, no contexto da 34a Bienal de São Paulo em 2021.
Alfredo Jaar
Santiago, Chile, 1956.
Vive e trabalha em Nova York, EUA. https://alfredojaar.net
Alfredo Jaar é um artista, fotógrafo, arquiteto e cineasta cujo trabalho já foi amplamente exibido em todo o mundo. Participou das Bienais de Veneza (1986, 2007, 2009, 2013), São Paulo (1987, 1989, 2010, 2021), bem como da Documenta de Kassel (1987, 2002).
A produção de Alfredo Jaar teve início no Chile e, depois, nos Estados Unidos entre o fim da década de 1970 e início dos anos 1980, período em que vigorava a ditadura militar em seu país. As suas obras buscam desvendar o que é involuntariamente não dito ou deliberadamente ocultado em um ambiente autoritário.