Instalação redonda com seis colunas de ferro inglesas do século XIX encimadas por pedras encontradas na propriedade. Eles próprios sustentam esculturas de ferro símbolos da cultura africana, sete baobás e diversas plantas medicinais e aromáticas... O trabalho deve ser regularmente ativado por performances envolvendo os vizinhos da Usina e visitantes.
A obra “Templo Templo Tempo Templo” é uma homenagem ao povo africano que foi humilhado e escravizado nos engenhos de cana-de-açúcar durante a colonização. Agora os símbolos de seus Orixás triunfam nas pedras capitais sobre as colunas de ferro inglesas de um país que tanto escravizou quanto “colonizou” culturas. Triunfam como o samba e outras artes não apenas na chamada cultura popular brasileira, pela voz de seus afrodescendentes e do povo mestiço do Brasil.
O ferro fundido das colunas nos lembra o Orixá Ogum, o senhor das guerras e demandas e ferreiro em forma de muitos instrumentos para uso agrícola, para a guerra e outros ofícios. As colunas também nos lembram artefactos feitos industrialmente para a construção do açúcar plantações de cana em todo o Nordeste e falar sobre a memória fabril e o patrimônio histórico dessa cultura, que foi um fator fundamental na formação econômica e cultural de Pernambuco. As pedras, que são capitéis de colunas de ferro fundido e correspondem em posição a cada baobá, representam a força e a presença do Orixá Xangô, senhor das montanhas da força primordial e da justiça. As ferramentas dos Orixás são seus símbolos, logos poéticos. As ferramentas acionam ou acessam as energias dos espíritos das entidades aqui representadas e sentadas nas pedras: Exu, que abre os caminhos e a entrada do trabalho; Ogum, ó guerreiro que rege os Exus e protege seus fiéis; Oxóssi, que reina e protege as florestas; Ossain, que planta e colhe as ervas para a cura e condimentos; Oxumaré, a entidade do arco-íris, representada por duas serpentes, símbolos da sabedoria. As ferramentas são utilizadas no Candomblé nas oferendas de comida e bebida e outros adereços para pedir ou agradecer aos Orixás pelas graças alcançadas. São a fusão de signos e símbolos do culto das tradições das culturas africanas que se fundem com as novas formas
Bené Fonteles
Bragança, Pará, Brasil 1953
Vive e trabalha no interior de Minas Gerais, Brasil
Ativista, artista plástico, escritor, curador de arte, poeta, xamã e compositor brasileiro. Também produz trabalhos ligados à arte postal e à pesquisa de novas expressões artísticas. A militância ecológica é uma característica marcante em seu trabalho, sendo o idealizador do “Movimento Artístico pela Natureza”, que desde 1986 promove a conscientização ecológica e a educação ambiental por meio da arte. Grande parte de sua obra dialoga com a estética e a poética das culturas indígenas.