CAMILLE KACHANI
“Fósforo-árvore”, 2014 - 2024
Madeira, metal e resina
450 x 30 x 120 cm
A obra Árvore-fósforo se insere na pesquisa do artista sobre as relações entre a Natureza e a Cultura. Sendo ao mesmo tempo Natureza (um tronco inteiro de uma árvore) e um objeto fundante da Cultura humana (um instrumento para a obtenção do fogo), a obra enfatiza que ambos os conceitos (Natureza e Cultura) são hoje indissociáveis, criando um paradigma contemporâneo onde tudo é ao mesmo tempo natural e cultural. O manejo da natureza pelo Homem a nível global faz do planeta um habitat cultural. Isso apenas reafirma a obrigação por parte do ser humano de preservar e zelar pela natureza-cultura, o que é exatamente o contrário do que hoje fazemos. Não é o fogo o inimigo, já que evoluímos para ser racionais graças a termos aprendido a usá-lo, tanto para cozer alimentos quanto para aquecer-nos. Nosso maior desafio é calar a soberba humana, ao pensarmos que podemos dispor da Natureza e do planeta ao nosso bel prazer, como se fossemos os donos do processo da vida, enquanto somos na realidade apenas mais uma espécie que depende do meio ambiente para sobreviver.
Camille Kachani
Beirute, Líbano, 1963
Vive e trabalha em São Paulo, SP
Camille Kachani chegou ao Brasil em 1971, fugido da guerra no Líbano. Estudou fotografia, pintura e escultura e começou a trabalhar como fotógrafo de natureza. Aos poucos, migrou para um procedimento misto com imagem, colagem e escultura. Seu trabalho trata de conceitos como identidade e pertencimento, sugerindo, a partir de referências autobiográficas, que estes se formam a partir da aquisição de cultura, num movimento de construção/dissolução eternos. Propõe a tese que cultura e natureza são hoje indissociáveis, formando assim o corpus do ser humano contemporâneo, ideia que irá nortear sua produção nos últimos anos.