Arena se constitui em um tronco de uma árvore fundido em bronze, com cerca de 4 m de diâmetro por 1,25 m de altura e que apresenta o modelo de uma arena vazia esculpida em seu topo. Instalado em um chão construído de modo a referir a deformação provocada por raízes em um piso feito com blocos de concreto, típicos daqueles utilizados em calçadas, a operação ecoa de modo imensurável a dimensão do trabalho.
Arena projeta os movimentos circuncêntricos do crescimento da árvore e, como um calendário, sobrepõe ao tempo natural de seu crescimento o tempo cultural, aludido pela arena; elemento arquitetônico criado pelo homem. Os anéis no tronco de uma árvore, são registros de seu tempo de vida, indícios da duração que a constitui como árvore, elemento natural. Já as arenas, construções arquitetônicas realizadas a partir da Grécia clássica, feitas para acomodar um grande número de pessoas afim de assistir apresentações de toda ordem, são elementos seminais construídos pela cultura.
O trabalho relaciona o corte à construção cultural, ao acontecimento civilizatório. O teatro vazio é alusão ao palco social onde ecoa e se desenrolam os acontecimentos e a atuação cotidiana.
As escadas presentes, tanto para acessar o trabalho, quanto as representadas no interior da arena, articulam-se entre a experimentação física para acessar o trabalho e a representada, no interior da Arena. Entre a passagem de algo vivido fisicamente a algo vislumbrado, pela representação, virtualmente no interior da escultura.
Vanderlei Lopes
Terra Boa, Paraná, 1973
Vive e trabalha em São Paulo
vanderleilopes.com
A prática artística de Vanderlei Lopes perpassa uma trajetória de experimentações com diversos suportes que culminam em esculturas, objetos ou situações estampados do cotidiano, transformados e perpetuados em materiais como pólvora, ouro, cerâmica, bronze ou som. Os trabalhos de Lopes se articulam e problematizam os diversos meios sociais e culturais em que são inseridos ou para os quais são pensados. Noções do processo de construção social e cultural como a linguagem, as ações, as relações espaciais de circulação, de hierarquias e de diversos valores culturais – desde religiosos, de heranças e das relações com mercado – são articulados embaralhados e discutidos em sua obra. O interesse por questões de temporalidade surgem em constante fricção, aportando menções a distâncias históricas específicas e ao aqui-agora imediato. Graduou-se em artes plásticas pela Unesp – Universidade Estadual Paulista, em 2000, e desde a década de 1990 integra mostras em diversos museus e galerias.